A ÁGUIA E A GALINHA

Esta recomendação de livro é para todos aqueles violonistas cujo potencial está latente. “Eu não sou violonista, sou iniciante ainda!”, mas para aprender tem que tocar? Então você é violonista segundo o Dicionário Aurélio onde violonista significa tocador de violão.
Trata-se de uma metáfora com a condição humana através da história de uma águia que tendo sido capturada por um camponês, era criada junto ? s galinhas.
Com o passar dos anos ela foi se acostumando a essa condição e se tornou uma galinha de verdade, até o dia que aparece um naturalista e a fez enxergar quem era ela.
Na verdade é uma antropologia filosófica com uma reflexão instigante que provoca entusiasmo na busca da identidade humana, através da inclusão das contradições e da superação dos eventuais obstáculos a nível pessoal, social e planetário.
A Águia e a Galinha
Leonardo Boff.
Todo ponto de vista é avista de um ponto
Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.
Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.
Sendo assim, fica evidente que cada leitor é co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita.
Com estes pressupostos vamos contar a história de uma águia, criada como galinha. Essa história será lida e compreendida como uma metáfora da condição humana. Cada um lerá e relerá conforme forem seus olhos. Compreenderá e interpretará conforme for o chão que seus pés pisam.
Os antigos bem diziam: habent sua fata libelli, os livros têm seu próprio destino. Tinham razão, porque o destino dos livros está ligado ao destino dos leitores. E aí entram em cena a águia e a galinha, carregadas de significação, como veremos ao longo da nossa história.
Esperamos que para você a águia e a galinha se transformem também em símbolos e sacramentos da busca humana por integração e por equilíbrio dinâmico.
Desejamos que a águia sepultada desperte e voe, ganhando altura e ampliando os horizontes de sua releitura e compreensão de você mesmo e do mundo.
Convidamos você a fazer-se, junto com as forças diretivas do universo, co-criador/co-criadora do mundo criado e por criar.
L.B.
Boff, Leonardo. A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana. 34. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
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