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  • Marcel Alessandro: Sou violonista e professor de musicalização infantil, dou aulas particulares de violão flamenco , choro,samba,...
  • vitor: aprenda a tocar pandeiro comigo: 1:ponta 2:pulso 3:tapa 4:polegar e é so tocar bele
  • Jonathan Felipe de Oliveira: Aulas de música 100% práticas… violão; guitarra; contra-baixo; bateria; percepção,ritmo;...
  • James: PROCURO PROFESSOR DE VIOLÃO PARA NITERÓI, RJ; jamesplushcore@hotmail.com

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Entrevista com Márcio Gouvêa

por: Roberto Lazaro

marcio_gouvea.jpg

1) Qual é Seu nome completo, sua idade? De qual cidade você é?
Márcio Alexandre de Gouvêa, nasci em Arapongas, Paraná no dia 17 de abril de 1971. Estou pra completar 37 anos de idade.

2) Qual sua formação musical?
Minha formação musical foi basicamente auto-didata não possuindo nenhuma graduação ou diploma de conservatório ou escola na área.

3) Quais festivais e concursos que participou?
Participei de alguns eventos consideráveis, como por exemplo: dos Fesitivais de Música de Londrina, Campos do Jordão (Seminário Latino-Americano de Violão - SP), Cascavel, Seminário de Violão Souza Lima - SP. Participei também de um Concurso Nacional de Violão Souza Lima onde alcancei o 1º prêmio.

4) Estuda violão há quanto tempo?
Iniciei o violão clássico com Nelson Bolzoni (Londrina) e mais tarde estudei 1 ano e 3 meses com Luiz Bueno (Curitiba). Estudei muito violão dos 16 aos 27 anos de idade, hoje não tenho muito tempo pra praticar.

5) Como você costuma fazer apresentações?
Eu mesmo organizo Saraus, concerto com amigos, eventos de amigos ou convite pela Secretaria de Cultura da cidade. Porém fiquei parado muito tempo devido à faculdade de PD e outras atividades.

6) O violão é sua principal fonte de renda?
Não, aliás, atualmente não vivo de violão.

violao_de_luthier.jpg

7) Quantos violões você já teve antes do Munhoz M7? Porque optou por um Violão Munhoz modelo M7, que é top de linha deste autor, ou seja, um investimento pesado para nossa realidade?
Olha, tive uns 5 violões sendo o último um F. Munhoz M4 de 93.

Eu optei pelo M7 devido ao material usado na construção do instrumento o que ajuda consideravelmente na qualidade em todos os aspéctos, além da evolução (pesquisa) dos atuais violões Munhoz em relação aos mais antigos, não desmerecendo o meu antigo M4, o qual falava muito.

violao_munhoz.jpg

O sr. Francisco e seu filho Miguel sempre buscam o crescimento da qualidade do instrumento, sendo incansáveis neste quisito. Olhando para dentro do corpo do violão percebemos algumas diferenças na construção.

violao_luthier.jpg

8) Como é este violão Munhoz M7, sonoridade, acabamento? Estou impressionado com este tampo de cedro assim como todo o acabamento, que tipo de cedro é este!?

Quando eu abri o estojo no dia 13 de maio na casa do meu pai, onde chegou o violão, levei um baita susto. Estranhei a cor de tampo. Achei que pudesse ser o tom do verniz, mas meu amigo de Uberaba viu o violão sem verniz e disse que o tampo era daquela cor mesmo. É um cedro café muito raro que estava com o sr. Francisco há uns 30 anos, fora o tempo que estava em poder do antecedente. Este cedro é de uma densidade fantástica, segundo o Miguel. Geralmente a tendência sonora do cedro é bem mais doce que as demais madeiras, porém o Miguel conseguiu extrair um som não só doce como, também, cristalino, puro e firme, com notas bem definidas e sustentadas, apesar do violão estar muito novo ainda, ou seja está “verde”, mas isto não quer dizer que ele não tem potência. O que quero dizer que ele vai desenvolver muito ainda a sua sonoridade.

Tudo isto sem falar no Jacarandá da Bahia (Nigro), cor escura, uma maravilha sem preço, de uns 80 anos, um sonho. Em relação ao acabamento o que posso dizer é que até minha esposa (detalhista como toda mulher) ficou maravilhada com o violão. Aliás acho melhor olharem as fotos.

9) Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando, pesquisando por violões de autor, repertório e escolas de música dentre outros aspectos do mundo violonístico?
Apesar de estar afastado do círculo, gostaria de dizer para os iniciantes do violão que, na medida do possível, participassem de eventos específicos deste instrumento, onde poderão desenvolver o conhecimento em todos os aspéctos, assim fora comigo.

Lembre-se um bom aluno é um grande observador. Mas não ficar só nisso, é preciso escutar outras coisas, ou seja, outros instrumentos, formações camerísticas, orquestras. Nunca force sua alma. Se escuta algo que não lhe agrada “stop”. Não se prenda muito à técnicas, e sim, à música.
“Não haveria mundo, mas haveria música”

Abraço à todos.

Márcio Gouvêa


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QUATERNAGLIA - ENTREVISTA EXCLUSIVA!

por: Roberto Lazaro

quaternaglia.jpg

VIOLÃO BRASIL: Faça um breve histórico do trabalho que o Quaternaglia desenvolve.

QUATERNAGLIA: O Quaternaglia foi fundado em 1992, são 15 anos em 2007. Desde o princípio nossa intenção era trabalhar tanto na área das obras originais para a formação (nós conhecíamos pouca coisa na época) quanto nas transcrições e arranjos, feitos por nós mesmos ou por outros músicos. Com o tempo o trabalho passou a incorporar mais um ramo: o das obras originais escritas para o grupo, sobretudo por compositores brasileiros. Essa parece ser uma das nossas principais contribuições até aqui, porque algumas das quase 40 obras escritas para nós por compositores como Egberto Gismonti, Paulo Bellinati, Sérgio Molina, Almeida Prado, Paulo Tiné, Rodrigo Vitta, Douglas Lora, Estércio Marquez Cunha e muitos outros, começam pouco a pouco a ser executadas e gravadas por outros quartetos, tanto do Brasil quanto do exterior, e isso muito nos alegra. Nosso trabalho nesses 15 anos tem sido pesquisar, estudar, ensaiar, viajar, tocar, e também dar aulas, coisa que gostamos muito.

VIOLÃO BRASIL: Qual a formação musical de cada integrante do quarteto, principais professores, influências, primeiro instrumento e instrumento atual?

QUATERNAGLIA: João Luiz iniciou na fanfarra da escola com o trompete, aprendeu um pouco de cavaquinho, e somente depois de uma boa experiência com música popular (choro) passou a se dedicar ao violão clássico. Fernando Lima iniciou muito pequeno com a viola caipira em sua cidade (São Bento Abade, em Minas Gerais), depois passando para o violão. Ambos estudaram com o mestre Henrique Pinto. Fabio Ramazzina estudou piano antes de se dedicar ao violão, seus principais professores foram Giacomo Bartoloni e Edelton Gloeden. Eu comecei no violão (já canhoto) aos sete anos, com Manuel Fonseca. Fui aluno por muitos anos de Armando Vidigal (um discípulo de Isaías Savio) e posteriormente, de Edelton Gloeden. Sou muito grato a todos esses professores.

VIOLÃO BRASIL: Existe alguma preferência por algum compositor (es) e/ou estilo (s) musical?

QUATERNAGLIA: Nossa formação violonística é erudita, nossa paixão é trabalhar a complexidade e a qualidade do som, dos planos dinâmicos, das respirações. Mas adoramos música popular, e acreditamos que o desenvolvimento e a diversidade do ritmo na música popular é hoje um ingrediente essencial para qualquer músico. Nosso repertório é eclético, vai de Tobias Hume (renascimento inglês) e Bach, a Villa-Lobos, Leo Brouwer, Egberto Gismonti e Paulo Bellinati. O importante para nós é fazer com que cada autor soe dentro de seu estilo, não forçar a música ao nosso jeito de tocar, mas procurar chegar perto das intenções de cada obra, detalhe por detalhe. Também gostamos muito de trabalhar com compositores vivos. O Brasil tem excelentes jovens compositores, extremamente criativos, com formação sólida e bom conhecimento do violão.

VIOLÃO BRASIL: Levando em conta que música de câmera requer muita dedicação e disciplina, bem como, o nivelamento dos músicos. Perguntamos: O que o grupo pode aconselhar para jovens estudantes e profissionais quanto à prática de interpretar em grupo?

QUATERNAGLIA: Não apenas “ensaiar”, mas estudar em conjunto. Um verdadeiro trabalho de câmara não se faz do dia para a noite, por melhores que sejam os músicos. É preciso desenvolver a sonoridade do grupo (diferente da de cada um isoladamente), e para isso é preciso pensar em cada digitação e articulação, é preciso estudar com metrônomo lentamente para trabalhar a precisão dos ataques, é preciso trabalhar todos os duos e trios dentro do quarteto, além de analisar bastante as partituras. Depois vem a fase de acabamento, memorização (porque geralmente tocamos decor), e fluência para estar pronto para um recital ou concerto. Na verdade, é preciso gostar de tocar junto, de ensaiar e acreditar no potencial do trabalho. Claro, sem o estudo individual de cada um isso também não rende, é preciso chegar pronto nos encontros grupais, e sempre imaginar o todo quando estiver estudando partes individuais.

VIOLÃO BRASIL: Sabe-se que na música de câmara existem virtudes peculiares á cada músico que pode proporcionar melhor execução de determinada voz. Isto ocorre no Quaternaglia? Quais características principais de cada músico do Quaternaglia para a questão da distribuição dos trechos musicais?

QUATERNAGLIA: Acredito que todo bom grupo explora as facilidades de cada músico. Fernando freqüentemente usa a sua habilidade de ex-”tocador de viola” para encontrar soluções originais de realização; João Luiz tem uma invejável precisão rítmica, além de um cantabile especial na região aguda do instrumento; Fabio é também um professor de harmonia e contraponto, é muito criativo nas digitações e um expert na coerência harmônica e polifônica; eu - além da formação em Filosofia e Estética, que me ajuda muito no Quaternaglia - tenho me especializado no violão de sete cordas e em diversas digitações particulares de mão direita, além de cultivar uma fluência nas constantes mudanças de afinação que são exigidas pelo nosso repertório.

VIOLÃO BRASIL: Estamos acostumados com o efeito da música de fora para dentro, no entanto, gostaríamos de saber um pouco como é para o grupo a visão musical do interior para o exterior humano, e qual o sentimento despertado em cada um de vocês quando os ouvintes reagem de forma carinhosa após esta troca?

QUATERNAGLIA: Essa é a melhor parte, quando conseguimos realizar aquilo que nos havíamos proposto e quando percebemos que tudo isso passa para o público. No limite, a imagem que temos de um bom recital é a de “tocar com o público”, quando a presença, atenção e energia das pessoas afeta positivamente a nossa performance: nós nos tornamos mais criativos no palco, experimentamos e arriscamos alternativas, e sentimos que o público está acompanhando esse jogo. Gostamos muito de conversar com as pessoas após o concerto, acredito que essa interação é muito oportuna e nos ajuda a compreender melhor o nosso trabalho, já que é uma grande responsabilidade ter a presença e a confiança das pessoas, algumas das quais nos acompanham a bastante tempo.

VIOLÃO BRASIL: Sabemos que o grupo viaja muito, como se dá a questão do inter-relacionamento entre vocês e seus familiares; a saudade da família, de casa, do animal de estimação e amigos. Isto pode influenciar em um concerto. Esses sentimentos penetram na melodia?

QUATERNAGLIA: Só há uma alternativa: nós temos que ser amigos, e de fato somos. Nossas famílias também se conhecem e interagem. Sempre foi assim no Quaternaglia, em todas as fases. Se não há afinidade pessoal e musical, achamos quase impossível realizar o nosso projeto de música de câmara. Música, nesse sentido, não pode ser apenas “um emprego”. Temos também que ser compreensivos com as dificuldades pessoais de cada um. Estar longe de casa por longos períodos não é fácil, mas pode se tornar menos difícil com o apio dos amigos e da própria família, que sempre torce por nós. Em geral, quando estamos no palco, tentamos superar todas as dificuldades, mas é inegável que o nosso sentimento do momento também está lá, e interfere na interpretação.

VIOLÃO BRASIL: Quantos concertos ao ano o grupo executa? Qual o intervalo entre uma e outra apresentação? Ocorre apresentação solo de algum membro do grupo?

QUATERNAGLIA: Em média cerca de 30 concertos por ano, atualmente em intervalos irregulares: em uma turnê, tocamos quase todos os dias; por outro lado, às vezes podemos passar um mês sem tocar, apenas nos preparando para gravações ou trabalhando novos repertórios. Alternamos o trabalho do quarteto com alguns outros projetos, como trabalhos em duo ou solo (eventualmente) e uma atividade de pesquisadores e professores.

VIOLÃO BRASIL: Existem níveis de aprendizagem em música? Qual a dificuldade que vocês tiveram e qual a expectativa para o ano seguinte?

QUATERNAGLIA: A evolução, para nós, foi orgânica, isto é, o nosso nível técnico e artístico foi crescendo junto com o próprio trabalho. Certos projetos são desafios, e exigem de nós esforço e dedicação mais intensa. Lembro que quando vimos a partitura do “Forró”, primeira peça escrita para nós por Egberto Gismonti, chegamos a ficar em dúvida se aquilo seria possível de ser tocado, porque não tínhamos notícia de escrita como essa para quatro violões…seis meses depois estávamos lá na casa dele, tirando dúvidas com os violões na mão; no ano seguinte, estávamos tocando decor nos EUA, e gravamos a obra em CD. Outro problema que enfrentamos atualmente é o prazo: muitas vezes temos que preparar um repertório ou um concerto em pouco tempo, ou gravar, como fizemos em fevereiro último no exterior, um disco inteiro inédito em apenas dois dias. Ainda bem que agora podemos contar com uma certa experiência acumulada…mas gostamos dos desafios, é isso o que impulsiona o nosso trabalho camerístico e dá personalidade a ele.

VIOLÃO BRASIL: A qualidade do violão influencia na resposta à técnica desenvolvida pelo instrumentista?

QUATERNAGLIA: Certamente, e ainda mais em um trabalho camerístico. Nossa concepção sonora combina muito com os violões do luthier brasileiro Sérgio Abreu, e é por isso que o Quaternaglia utiliza 4 instrumentos (3 de seis cordas e um de sete cordas) feitos por esse mestre do violão. Um instrumento adequado é algo muito importante, mas antes disso o músico tem que saber o que quer (em termos sonoros e musicais), e somente após isso procurar o meio - o “instrumento” - que melhor se adapte a esses objetivos.

VIOLÃO BRASIL: Existe alguma preferência por algum encordoamento em especial ou esta questão é influenciada pela resposta sonora individual á qual o integrante deseja para colaborar com o grupo?

QUATERNAGLIA: Nós utilizamos, em nossos violões, cordas Savarez Corum Alliance (a Savarez oferece um apoio ao Quaternaglia, já que usamos muitos encordamentos por mês!), mas também gostamos muito de usar as cordas Augustine Regal, sobretudo as primas.

VIOLÃO BRASIL: Em apresentações do Quaternaglia no exterior, como é a receptividade em relação a música brasileira?

QUATERNAGLIA: Há de fato bastante receptividade. Conto um caso: uma mulher levantou-se após um concerto em Dallas e gritou: “Fu-ri-o-sa”, com aquele sotaque americano, pedindo uma peça de Paulo Bellinati que não estava no programa (nós tocamos, é claro). Depois ficamos sabendo que ela havia assistido a um recital nosso anos atrás em Houston, e tomou uma ponte aérea no final da tarde daquele dia, apenas para assistir ao grupo e pedir a ” Fu-ri-o-sa”. Essas coisas nos deixam muito contentes, e faz com que tenhamos ainda atenção e cuidado, porque - sobretudo no exterior - estamos também representando o nosso país, a nossa cultura.

VIOLÃO BRASIL: O Quaternáglia pode deixar uma mensagem ao universo violonístico que possa iluminar aqueles que sonham com o palco?

QUATERNAGLIA: Que se preparem bem, tanto ao violão quanto em termos musicais gerais - solfejo, harmonia, contraponto, análise, história da música, estética, filosofia, literatura, artes em geral e… façam o trabalho musical que acreditarem ser o melhor, sem concessões ou barganhas. O resultado virá naturalmente, e mesmo que demore, vocês estarão lutando por algo verdadeiro, e que de fato vale a pena.

Site do Quaternaglia: http://www.quaternaglia.com.br


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