Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

Adicionado in Ergonomia, Iniciante

Conceito de Relaxamento

Conceito de Relaxamento

12345
(5,00 de 5 com 2 votos)

relaxamento-violao.jpg

Uma das preocupações no estudo de qualquer instrumento e, particularmente, mais em nosso instrumento, é o princípio que regerá o relaxamento necessário para podermos executar qualquer obra com liberdade muscular, isto é, usar o mínimo de esforço para se obter o maior rendimento na movimentação.

Mas o que vem a ser este estado que implica uma postura adequada (considerando todo o conjunto do corpo, desde como e onde sentar, postura das mãos e forma de atacar as cordas – mão direita – e como pressionar as cordas – mão esquerda) até a escolha de um repertório adequado que irá influenciar na movimentação das mãos?

Acredito que seja todo este conjunto de fatores que irá influenciar no resultado final, mas podemos individualizar, ou dissecar, todos estes elementos e oferecermos uma pequena tese sobre este assunto.

Se recuarmos na história do violão, vamos ver que ele se transformou como móvel, passando por diversas formas e tamanhos até chegar em meados do século XIX com Antonio Torres, construindo um instrumento com o formato definitivo e sua elaboração interna que veio caracterizar a sonoridade do violão moderno, tendo sido o modelo da maioria do luthiers que vieram posteriormente.

Juntamente com Antonio Torres, surge uma das maiores figuras que veio revolucionar a técnica do violão, Francisco Tárrega, que dedicou toda sua vida a acrescentar um novo conceito de repertório e uma técnica que é utilizada até hoje para o desenvolvimento do violonista.

Com Tárrega não foi apenas o que revolucionou o repertório e a técnica, mas teve que adaptar em seu corpo este novo violão, o de Antonio Torres, para poder executar o repertório por ele desenvolvido e ter a possibilidade de poder estudar durante um largo tempo, sem sofrer dores em sua coluna.

rrega praticou todos os elementos técnicos que poderiam surgir durante a execução de uma obra, tinha como princí­pio que exercitando diariamente escalas, arpejos, ligados, saltos, trilos, aberturas e fórmulas mecânicas que ocasionalmente surgissem em suas transcrições e obras originais.

Disciplinadamente praticava sua técnica diária, para que seus dedos não encontrassem surpresas quando tocava uma determinada obra.

Sua ética em reproduzir exatamente o texto ao qual se propunha interpreter, o levou a criar inúmeras fórmulas de exercí­cios para que seus dedos tivessem a maior objetividade quando solicitado determinado movimento, movimento esse carregado de intenções dinâmicas e expressividade.

Todo este trabalho com o instrumento, que incluía desde postura, os inúmeros exercícios de técnica pura e estudo especí­fico de uma obra, é o que iria dar a liberdade e fluência no momento de mostrar a obra como um todo, plena em todos os detalhes e poder ser desfrutada pelo intérprete e pelo ouvinte, formando um elo e unindo estes dois elementos indissociáveis.

O estudo constante do instrumento irá formar uma ligação, ou melhor, uma extenção do instrumento com o instrumentista, dará liberdade de movimentação, o ato de tocar não será uma atitude de realização com algo externo, o violão não será um objeto extranho que terá sempre que ser conquistado, mas será uma segunda natureza do violonista, o instrumento e o complexo dedilhado que é peculiar para a realização de uma obra deverá fluir com leveza, como o simples andar, com um simples comando.

O pensamento de Tárrega estava correto, em sequência a todo seu trabalho vieram grandes violonistas que confirmaram seu raciocínio pedagógico, como Miguel Llobet e Andrés Segovia.

Termos como fluência, leveza, comando imediato, orgânico e incorporado fazem parte do vocabulário da técnica que Tárrega desenvolveu obstinadamente, foi o espaço conquistado por seu imenso trabalho, para finalmente conseguir o “conceito de relaxamento”, que abarca todos estes termos.

Porém, podemos confundir este conceito com “reflexo condicionado” , que é necessário ao trabalho de executar uma obra sem problemas de interrupção, tendo a memoria muscular sido totalmente resolvida, que abarca o complexo dedilhado da mão esquerda e direita.

A história caminha em espiral , ela vai buscar os elementos de complementação em níveis anteriores para seguir sua ascensão contínua, toda nova formulação terá componentes que foram utilizados em sua primeira construção, é o princípio da evolução, do aperfeiçoamento, do conhecimento do mecanismo da natureza, do sentido evolucionista de todo pensamento que procura compreender o homem e sua relação com tudo que o rodeia, enfim, sua relação com o mundo.

O ato de tocar implica nas várias memórias que estarão coligadas e principalmente a muscular, que irá resolver objetivamente todos os movimentos para resultar no ato de tocar, de dedilhar, é o contato direto com o instrumento para o resultado sonoro surgir e ser comandado pelo pensamento sonoro, é o ato de interpretar, de estar junto com o autor e dizer com “suas palavras” o texto sonoro, é compor novamente dando uma nova ênfase, valorizando com a dinâmica inerente do intérprete, particularizando a obra.

Se a peça for tocada por vários intérpretes, cada uma destas audições mostra uma nova maneira de ser, ela terá a personalidade de quem a toca, seu estado de espí­rito por cada momento sonoro e todo jogo de cores que o instrumento poderá oferecer.

Mas esta luminosidade será dada pelo intérprete, ele será o centro solar que irá irradiar sua luz, com maior ou menor intensidade.

Toda esta dinâmica interior é resultado de uma organização de elementos adquiridos desde o primeiro momento de contato com o instrumento até a elaboração mais sofisticada de uma complexa obra, num estágio superior de compreensão de um texto musical e da técnica do instrumento.

Quanto maior for o desenvolvimento técnico do instrumentista maior será sua elaboração sonora, seja ela quantitativa (maior volume) ou qualitativa (sonoridade com mais harmônicos e maior variedade de timbres).

Este espaço de liberdade adquirido irá produzir a sensação de relaxamento, o comando para a realização de um momento sonoro numa obra é imediato, para o ouvinte a impressão causada é sempre de fluidez, sem dificuldades, a música acontece espontânea e livre, como se não houvesse instrumento nem instrumentista, pensamento e fato sonoro se fundem para produzir a música pura e simples, assim como foi concebida.

Podemos deduzir que reflexo condicionado está ligado a repetição contí­nua e sistemática de movimentos pré-estabelecidos, resolvendo a necessidade da obtenção do dedilhado necessário a realização de um momento sonoro, ou uma obra completa.

Durante o processo de desenvolvimento de todo trabalho mecânico de uma peça, acontecem momentos de maior ou menor dificuldade técnica a serem resolvidos, e todo nosso corpo percebe e reage conforme acontecem esses momentos.

Se tivermos alguma passagem de fácil resolução, não haverá alteração nervosa, mas durante uma passagem de maior dificuldade, todo nosso corpo irá reagir a esta dificuldade, e como consequência surgirão pontos de tensão, que será um impedimento ao ato de tocar.

A dificuldade mecânica de uma obra é um dos motivos desta inervação, ou tensão, que poderá acontecer, resultando numa contração muscular que irá dificultar a livre movimentação dos dedos, tornando-os lentos e pesados.

A não compreensão da linguagem musical da peça estudada é outro fator de contração muscular, no ato de executa-la só estará presente a memória muscular e esta não estará fazendo conexão com o fator orgânico musical do intérprete.

O mecanismo utilizado no momento da execução de uma obra é extremamente complexo, além do uso de todas memórias (como a muscular, visual e auditiva), o intérprete terá que perceber a reação de seu corpo e atenuar qualquer sinal de contração, voltando a disposição anterior de tranquilidade.

A disposição do corpo de forma a receber o violão e formar uma única unidade (violão e violonista), é imprescindível, pois todos os músculos do corpo estarão pré-dispostos a não terem constrações inúteis.

Alguns itens como sentar, onde sentar, colocação da coluna ereta, ombros descontraídos, o braço estar completamente livre do ombro para braço, ante-braço e mão formarem um conjunto independente.

A musculatura das costas deve ser firme para sustentar toda coluna (firme, não tensionada). A altura do banquinho para o pé esquerdo deve ser tal que não cause problemas de dores nas costas ou contração em toda região esquerda posterior.

Os dedos da mão esquerda não devem pressionar mais que o suficiente para conseguir a nota desejada.

A mão direita deverá estar colocada a não forçar os tendões para uma posição de limite de sua extensão, o pulso e ante-braço deverão estar em linha reta ou aproximado desta linha reta.

O toque da mão direita deverá ser articulado sem o uso da força, mas sim com a pressão suficiente para se obter a sonoridade desejada e não causar enervação inútil em todo ante-braço.

Podemos colocar outro item que sentimos de igual importância com os expostos anteriormente. Sempre que iniciamo o estudo nossa mente deve estar tranquila e assim teremos maior concentração e resultado maior em todo tempo de estudo.

Uma mente dispersa além de causar cansaço mental, só iremos desenvolver nossa memória muscular, a concentração é imprescindí­vel para um maior aproveitamento do tempo que estamos com o instrumento. Concentrar é nossa atenção estar centrada no objetivo de nosso estudo, estar atento para todos os fatores que influenciam na execução de uma obra.

O “conceito de relaxamento” tem um sentido amplo, não é somente o afrouxar a musculatura, mas sim, o funcionamento de todo complexo psicológico e fisiológico, como uma engrenagem , em que todas as peças tenham um encaixe perfeito e o funcionamento de um relógio preciso.

Uma má orientação, ou uma falta de conciencia no processo do estudo, poderá acarretar problemas que dificilmente poderão ser solucionados, como o famoso LER (lesão por movimento repetitivo), bloqueio por uma enervação excessiva, degeneração gradativa do processo de articular as notas e dificuldade progressiva para atingir um determinado objetivo.

18 Comments

  1. Já conhecia estes conceitos,uma vez que estao em uma das varias publicações do professor Henrique Pinto que eu adquiri com a intenção de aprender tocar o instrumento. Esbarro em dois deles, Memória Visual e Auditiva. Principalmente na questão da compreensão da linguagem musical. Seria oportuno perguntar se ´ha uma forma mais direta e espec´fica de superar isso.

  2. Não exite uma forma mágica para se aprender tocar. O segredo do bom músico é praticar de manhã ? tarde e ? noite sem parar.O preguiçoso jamais será um bom músico.

  3. Muito bom texto. Faz muito sentido realmente dizer que o ato de tocar bem é um conjunto de percepções onde o relaxamento muscular tem grande peso. Somente com alguns pré-requisitos, como relaxamento, podemos ter um visão inteira do que está acontecendo durante a música e assim tocar e desenvolver bem um estudo ou música.

  4. “Sou um novo aluno e quero ser o melhor violonista ,para tocar na obra de “Deus”…………………….etc

  5. Olá Flávio

    Fico feliz em tê-lo conosco aqui no Violão Brasil!
    Por acaso, você já conhece o curso de violão gospel da Prime Cursos do Brasil? Com ele você aprende a tocar violão em apenas 30 dias com músicas evangélicas,
    para mais informações acesse http://www.gospel.mus.br

    Bons estudos

  6. como faço para receber o certificado do curso de violão?

  7. Olá José, tudo bem com você?

    Para solicitar um certificado de conclusão do curso de violão, você precisa prestar a prova de suficiência no portal de ensino da Prime,
    para maiores informações acesse agora mesmo:

    http://www.primecursos.com.br/violao-popular-basico/

    Espero ter respondido a sua pergunta
    Bons estudos,

    Violão Brasil

  8. obrigado.

  9. ao executar uma posição difícil, eu paro. é instantâneo e fico tensa e chateada. todo o meu corpo mostra. o texto me chamou a atenção. preciso relaxar no sentido de vencer estes momentos. um abraço.

  10. Boa noite, fico tenso e muito nervoso, quando estou tocando ´para alguem , quero vencer este obstáculo como fazer, só respirar ´prá encher o diafrãgma e relachar vai resolver, ou devo também, fazer o exercicio de respiração todos os dias , ? abraços ,obrigado …

  11. Olá Joel, tudo bem?

    Em relação a sua pergunta, além destes exercícios de relaxamento, você deve praticar bastante, pois só quando você confiar de verdade na sua capacidade técnica é q vc vai vencer este obstáculo.

    Bons estudos

    Blog Violão Brasil

  12. que voces continuem trazendo divertimento e alegria para todos aqueles que gostam de violão e musica , porque considero violão importante em nossas vidas porque nos trazem paz a alma

  13. Estou adquirindo hoje o curso completo de violão e espero tocar algo em poucos dias. Será? Adoro cantar e tocar teclado, mas estava faltando o violão. Qualquer coisa, pedirei socorro. Abraços

  14. É muito importante a orientação do texto , assim como toda a oritação do do curso , o qual eu estou acompnhando atentamente , pois estou empenhado em aprender tocar violão , pro ser um instrumento que eu gosto muito , já havia tentado em outras oportunidade, sem sicesso . espero agora conseguir , ja´comprei o kite básico , estou praticando normalmente ,,,,.

  15. legal todas essas orintaçoes. para min esta sendo de muito proveitozo. VALEU

  16. Sem dúvidas, para ter um excelente aprendizagem é preciso disciplina, treino diário e constante e foco naquilo que se estar pretendendo!E diga-se de passagem, não é uma tarefa fácil! razão pela a qual muitos desistem,ficando a beira do caminho! que não aconteça isso comigo e consigo!Abraços…

  17. Grata pelo texto, me enriqueceu bastante.
    Gostaria de ter alguns estudos como os de tárrega e sua técnica,atualmente estou estudando o método Matteo Carcassi.

Post a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *