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Adicionado in Frases Célebres

Segóvia encontra Villa Lobos

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Quando terminei minha apresentação, Villa-Lobos aproximou-se e disse-me em tom confidencial: “Também toco violão.” – Maravilhoso! – respondi. “Você é então capaz de compor diretamente para o instrumento”. Estendendo-me as mãos, ele pediu-me o violão. Sentou-se, atravessou-o nos joelhos e segurou-o firmemente de encontro ao peito, como se temesse que o instrumento fugisse.

Olhou severamente para os dedos da mão direita, como ameaçando-os de castigo por ferir erroneamente alguma corda. E quando menos esperava, desferiu um acorde com tal força, que deixei escapar um grito, pensando que o violão tinha se despedaçado. Ele deu uma gargalhada e com alegria infantil disse-me: “espere, espere…”

Esperei, refreando com dificuldade meu primeiro impulso, que era o de salvar o meu pobre instrumento de tão veemente e ameaçador entusiasmo. Após várias tentativas para começar a tocar, ele acabou por desistir(…) os poucos compassos que tocou foram o suficientes para revelar, primeiro, que aquele mal intérprete era um grande músico, pois os acordes que conseguiu produzir fascinantes dissonâncias, os fragmentos melódicos possuí­am originalidade, os ritmos eram novos e incisivos e até a dedilhação era engenhosa; segundo que ele era um verdadeiro amante do violão.

No calor desse sentimento, nasceu entre nós uma sólida amizade. Hoje o mundo da música reconhece que a contribuição desse gênio para o repertório violoní­stico constituiu uma bênção tanto para o instrumento como para mim.

1 Comment

  1. Caro Roberto:

    Fascinante esse encontro. Quando ocorreu? Qual o resultado dessa amizade? Como era o maestro?

    Abraços,

    Jean Tavares

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